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_ermo [poema]

no mais supremo do ermo eu remo sem saber que se fosse pra ser
mais do que deveria eu não remaria
eu apenas seria

Comentários

Lauro disse…
Mas que solidão ...

pois o que dizer do indivíduo
que é único e súdito ?!

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_meu filho é maconheiro (conto)

- Mariuza, estou absurdada!
-Ah, Paulinha, eu tenho certeza, ele fuma maconha. Desgraçado, eu sei que ele anda fumando por aí!
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- Vocês, tias, não sabem,…

_sustância [poema?]

relógios relógicos
Substância do tempo
instância do instante
prismas numéricos

ponteiros pesados
apontam, persistem
perfuram a massa
insustentável
da vida passando
entrando
saindo
andando

sombra solitária
navegando terra adentro
procurando um refúgio

lunar


dígitos despidos
repetem
repetem
repetem
concordam contínuos

relógios, relógicos
parados
não mudam o tempo
a nos comer


***

_breve romance daquela mulher [cena psicológica]

Ela me assombra. É inegável. Assombra. Sua presença, seus passos, seu corpo. Assombra. Porra, é mulher do cara, sei disso. Olho daqui. Olho de novo. Ela olha, sei que olha. Está estampado. E isso me assombra. Lembro da primeira vez que a vi. Veio silenciosa na foto colada na parede. Na foto. Depois, casualmente ela apareceu de novo. Veio da boca do cara: minha mulher. O nome soou doce e concreto. Mas de repente flutuou em flatulências daquele idiota. Preferi perder essa imagem. Então ela veio novamente. Primeiro de costas, em um passo curto, urbano, leve. As pernas subiam bem formadas, a calça pouco sobrava acima do limite entre o fim da calcinha e o vácuo imaginário que me permiti fluir por alguns dias. A cintura apareceu feita para abraçar e apertar em carinhos tão puros que seriam até infantis. Vi então sua nuca mal coberta pelos cabelos e os pêlos que pediam: cheirem-me. Me assustou, assim, de costas. Parecia algo que aqui não poderia estar, não poderia existir. Parecia que aquela…