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Postagens mais visitadas deste blog

_meu filho é maconheiro (conto)

- Mariuza, estou absurdada!
-Ah, Paulinha, eu tenho certeza, ele fuma maconha. Desgraçado, eu sei que ele anda fumando por aí!
- Mari, chega. O que é isso? Você com tanta desconfiança de seu próprio filho? E olha: se eu conheço bem ele, menino tão bom, tão gentil e educado, trabalhador, nunca te deu dor de cabeça… ele nunca ia fazer uma coisa dessas. Eu tô com a Paula: é um absurdo você pensar isso do Juninho. E vê se pára de chorar e se acalma.
- Claudinha? Você também? Eu não acredito. Criei o menino com tanto amor, com tanta dedicação, dei minha vida para ele, e o que ele faz? Vai fumar maconha, o vagabundo!
- Eu é que não acredito! Você fala como se o menino fosse um bandido, um marginal. Como pode você falar uma coisa dessas. É só olhar pra cara dele… nunca fumou nem vai fumar isso. Pára com essa desconfiança besta, Mari, teu filho é um ótimo rapaz, saudável, inteligente, tem a namoradinha dele, foi tão bem criado. Eu acho que você está preocupada à tôa.
- Vocês, tias, não sabem,…

_toda casa de esquina tem mais de um fantasma

TODA CASA DE ESQUINA TEM MAIS DE UM FANTASMAPrólogoSó no final da minha vida percebi que não precisamos estar sós para nos sentirmos abandonados. Não que estejamos realmente abandonados, mas apenas que nos sintamos abandonados. Essa curta e falha narrativa do que vivi é nada mais que uma história sobre uma casa e os fantasmas que a habitaram. Fantasmas que a vida, imprevisível, se encarrega de criar. O mais fantástico nisso tudo é que, no fim da picada, vejo que os fantasmas nunca estiveram dentro de outro lugar além de minha solidão.IO casteloUm dia percebi que além da janela de nossa caixa havia outras pessoas. Elas não transitavam pelas calçadas quebradas de meu bairro. Elas simplesmente abriam suas caixas e saiam com outras caixas que as levavam não sabia eu para onde. Papai me disse que elas iam trabalhar, assim como ele fazia todos os dias. Essa coisa das caixas foi ele que me explicou: as pessoas vivem em caixas maiores. Então elas pegam suas caixas menores e móveis e vão para …

_sustância [poema?]

relógios relógicos
Substância do tempo
instância do instante
prismas numéricos

ponteiros pesados
apontam, persistem
perfuram a massa
insustentável
da vida passando
entrando
saindo
andando

sombra solitária
navegando terra adentro
procurando um refúgio

lunar


dígitos despidos
repetem
repetem
repetem
concordam contínuos

relógios, relógicos
parados
não mudam o tempo
a nos comer


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